﻿{"id":1017,"date":"2017-10-23T20:13:02","date_gmt":"2017-10-23T22:13:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bunkyorural.com.br\/?p=1017"},"modified":"2017-10-23T20:13:02","modified_gmt":"2017-10-23T22:13:02","slug":"palestra-de-francisco-graziano-neto-no-8o-bunkyo-rural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/index.php\/palestra-de-francisco-graziano-neto-no-8o-bunkyo-rural\/","title":{"rendered":"Palestra de Francisco Graziano Neto no 8\u00ba Bunkyo Rural"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Francisco-Graziano.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-1018\" src=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Francisco-Graziano-300x207.jpg\" alt=\"Francisco Graziano\" width=\"235\" height=\"162\" srcset=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Francisco-Graziano-300x207.jpg 300w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Francisco-Graziano-80x55.jpg 80w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Francisco-Graziano-470x325.jpg 470w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Francisco-Graziano.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/><\/a>Bom dia, tenho que me acostumar aqui com o microfone que \u00e9 poderoso, eu inicialmente vou pedir licen\u00e7a a todas as autoridades para cumpriment\u00e1-los e agradecer por esse convite, em nome de duas pessoas que s\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o desse evento e s\u00e3o meus colegas da ESALQ de Piracicaba , Nelson Kamitsuji e o Celso Mizumoto. Em nome deles eu cumprimento a todos. Quando me procuraram falando da ideia do Novo Rural, que foi a preocupa\u00e7\u00e3o de centralizar nesse tema, lembrei que esse \u00e9 o t\u00edtulo do meu pen\u00faltimo livro: \u201cO Novo Mundo Rural\u201d, e eu fiquei muito curioso, gostei do convite e me sinto privilegiado de estar com voc\u00eas discutindo. Que novo \u00e9 esse? E como n\u00f3s podemos participar deste novo? E quais s\u00e3o os desafios que o novo mundo rural est\u00e1 trazendo para n\u00f3s? Eles existem e n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis, ent\u00e3o vou lhes pedir um pouco de paci\u00eancia para apresentar a configura\u00e7\u00e3o sobre o tema que a sociedade de cultura japonesa est\u00e1 buscando. Esse tema faz parte da hist\u00f3ria da minha vida, eu me sinto capaz, n\u00e3o de ensinar coisas para voc\u00eas, mas de colocar umas quest\u00f5es que talvez ajudem a encontrar os novos caminhos.<\/p>\n<p>O que \u00e9 o novo e o que \u00e9 o antigo muitas vezes n\u00f3s sabemos, mas ficamos em d\u00favida entre qual o melhor. O Fusca era bom n\u00e3o era? E esse Fusca novo? O que \u00e9 o novo?\u00a0 \u00c9 a inova\u00e7\u00e3o, mas tem a tradi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 melhor inovar? Quando inovamos, n\u00f3s mantemos ou acabamos esquecendo das tradi\u00e7\u00f5es? Ent\u00e3o, eu s\u00f3 estou fazendo um aquecimento, a inova\u00e7\u00e3o sempre vem, agora a tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa ser jogada fora, s\u00f3 precisa ser recontextualizada. Onde a gente trata como tradi\u00e7\u00e3o, a cultura, para que a cultura tradicional n\u00e3o impe\u00e7a a inova\u00e7\u00e3o, \u00e9 diferente, tem gente que s\u00f3 \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o e se voc\u00ea s\u00f3 fica na tradi\u00e7\u00e3o acaba se descuidando da inova\u00e7\u00e3o, \u00e9 um problema. O que \u00e9 o futuro? \u00c9 mais tecnologia ou vai fazer a gente voltar para o passado, h\u00e1 muitas pessoas que quando vislumbram o futuro falam: \u201cno tempo dos meus pais, av\u00f3s era bom, mor\u00e1vamos na fazenda, n\u00e3o tinha isso nem aquilo\u201d. Pode at\u00e9 ser verdade, mas vai voltar \u00e0quele tempo? N\u00e3o volta mais. Ent\u00e3o o futuro sempre vai para frente, e significa mais tecnologia, nunca menos, o futuro \u00e9 esse aqui conectado ou \u00e9 esse? Quem est\u00e1 com o celular conectado? Toda sociedade \u00e9 conectada, ent\u00e3o o novo que estou querendo mostrar para voc\u00eas, sempre ser\u00e1 mais tecnologia, com mais inova\u00e7\u00e3o e interliga\u00e7\u00e3o entre as pessoas. N\u00e3o tem como voltar atr\u00e1s, eu vou resumir porque estou falando um pouco de evolu\u00e7\u00e3o, e eu separei daquilo que compreendo, quatro aspectos que chamo de realidade contempor\u00e2nea, que fazem parte do nosso mundo hoje, se n\u00e3o considerar, entre outras, essas quatro realidades, n\u00f3s n\u00e3o saberemos entender o que \u00e9 o novo.<\/p>\n<p>Na primeira urbaniza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 quarenta anos, n\u00f3s n\u00e3o imagin\u00e1vamos que fosse acontecer uma urbaniza\u00e7\u00e3o como aconteceu aqui no Brasil. N\u00f3s ach\u00e1vamos que pod\u00edamos seguir um caminho diferente, mas o fato \u00e9 o seguinte, da popula\u00e7\u00e3o do Brasil hoje, 87% \u00e9 urbana e 13% \u00e9 rural, e no mundo a popula\u00e7\u00e3o urbana j\u00e1 \u00e9 maior que a rural. Na Argentina, 92% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 urbana. Existem 52 pa\u00edses no mundo maiores e desenvolvidos, cuja popula\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 maior que 80%. Isso est\u00e1 significando o seguinte: Teoricamente, h\u00e1 alguns anos, imaginando que fosse poss\u00edvel ser diferente, as cidades est\u00e3o atraindo cada vez mais pessoas, e nas cidades as pessoas encontram for\u00e7as de comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o encontravam no campo. E entre os estudiosos da civiliza\u00e7\u00e3o, muitos poucos conseguem imaginar que ser\u00e1 poss\u00edvel frear essa vontade da popula\u00e7\u00e3o. Na \u00c1frica e na \u00c1sia n\u00e3o se est\u00e1 percebendo isso, mas as pessoas querem ir para a cidade. E as metr\u00f3poles est\u00e3o com mais gente se verticalizando, esta \u00e9 a tend\u00eancia global e \u00e9 a nossa realidade, voc\u00eas v\u00e3o entender depois porque eu estou falando isso tudo.<\/p>\n<p>A segunda realidade contempor\u00e2nea \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 curioso, quando disseram que era necess\u00e1rio controlar a maternidade, porque a popula\u00e7\u00e3o estava crescendo a uma taxa geom\u00e9trica e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos a uma taxa aritm\u00e9tica. Essa previs\u00e3o aconteceu em 1802 e a popula\u00e7\u00e3o era de 1 bilh\u00e3o de habitantes quando foi feita essa previs\u00e3o, de que haveria um colapso e seria necess\u00e1rio controlar a popula\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m controlou a popula\u00e7\u00e3o e hoje somos 7,2 bilh\u00f5es de habitantes. A ONU disse que teremos 9 bilh\u00f5es em 2050 e n\u00e3o houve nenhum colapso. Thomas Malthus estava errado, a popula\u00e7\u00e3o da Terra cresceu de forma inacredit\u00e1vel, continua crescendo e talvez se estabilize em 2050, essa \u00e9 a nossa hist\u00f3ria. Entendendo o que est\u00e1 acontecendo no mundo, n\u00e3o se pode desconsiderar a popula\u00e7\u00e3o, eu digo isso porque existem algumas suposi\u00e7\u00f5es que parecem desconsiderar que somos 7,2 bilh\u00f5es de pessoas e seremos 9 bilh\u00f5es, e que as pessoas est\u00e3o indo para a cidade, aumentando o n\u00edvel de vendas e a demanda por prote\u00ednas. Essa \u00e9 a realidade, h\u00e1 quem tenha j\u00e1 estudado a pegada ecol\u00f3gica da terra, a tecnologia da WWF, que \u00e9 uma grande e prestigiada organiza\u00e7\u00e3o internacional. Segundo a WWF, a pegada ecol\u00f3gica da Terra permitiria que estiv\u00e9ssemos no mundo atual vivendo equilibradamente se f\u00f4ssemos 3,7 bilh\u00f5es, mas j\u00e1 somos 7 bilh\u00f5es, ent\u00e3o existe uma pegada ecol\u00f3gica que depende de n\u00f3s que estamos aqui, \u00e9 terr\u00edvel, mas \u00e9 assim.<\/p>\n<p>A terceira realidade que eu quero destacar \u00e9 a qualidade de vida. \u00c9 fant\u00e1stico, n\u00f3s hoje vivemos aqui em S\u00e3o Roque, S\u00e3o Paulo, em qualquer lugar do Brasil e os outros seres humanos em qualquer outro lugar do planeta, em condi\u00e7\u00f5es materiais muito melhores que tivemos no passado, que tiveram os nossos av\u00f3s ou nossos pais. Isso facilitou o seguinte: quando estudamos S\u00e3o Paulo, por exemplo, aquilo que nos anos 70 n\u00f3s cham\u00e1vamos de periferia, que era onde n\u00e3o tinha asfalto, n\u00e3o tinha farm\u00e1cia, n\u00e3o tinha alimento, n\u00e3o tinha nada, aquele \u00eaxodo rural formando a periferia, hoje se voc\u00ea for \u00e0 periferia, eles t\u00eam tudo l\u00e1. \u00c9 impressionante como a qualidade de vida m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o aumentou, no mundo se relata isso e isso significa o seguinte: hoje essas pessoas n\u00e3o t\u00eam mais aquelas exig\u00eancias de 30 ou 40 anos atr\u00e1s, e sim novas exig\u00eancias. Isso tem a ver com os pol\u00edticos, por exemplo. Hoje o prefeito vai inaugurar uma obra e n\u00e3o vai ningu\u00e9m. Antigamente at\u00e9 asfalto se inaugurava, e era o acontecimento. Hoje, na verdade, seria proibido, porque se voc\u00ea arrecada recursos, voc\u00ea est\u00e1 fazendo apenas a sua obriga\u00e7\u00e3o, \u00e9 isso que o povo pensa, e n\u00e3o tem mais obras. As pontes, por exemplo, j\u00e1 foram feitas, tudo bem fazer outras, mas a necessidade da popula\u00e7\u00e3o em atender a sua qualidade de vida est\u00e1 em outro n\u00edvel, ele n\u00e3o quer mais comer, e sim o alimento saud\u00e1vel. \u00c9 outra exig\u00eancia, mais \u201crefinado\u201d, ele quer qualidade de vida, respirar melhor. Antigamente, ele queria apenas arroz e feij\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a urbaniza\u00e7\u00e3o, o crescimento populacional, o n\u00edvel m\u00e9dio da qualidade de vida atendido e em quarto lugar a realidade virtual. N\u00e3o podia ser outro numa sociedade conectada. H\u00e1 quem estude esse assunto da internet e chega at\u00e9 a fazer previs\u00f5es de que em 2037, as pessoas na Terra estar\u00e3o sendo mais influenciadas pelo mundo virtual do que pelo mundo real. Hoje, muito dos nossos filhos j\u00e1 s\u00e3o influenciados mais pelo virtual do que pelo real, onde eles jogam futebol hoje? No computador. Ent\u00e3o, est\u00e1 acontecendo uma coisa onde o mundo virtual est\u00e1 se tornando mais importante que o real, o que vai acontecer? Isso est\u00e1 mudando tudo, a pol\u00edtica, o marketing, todo processo de vendas e neg\u00f3cios e est\u00e1 sendo terr\u00edvel. H\u00e1 quem esteja prevendo que algumas profiss\u00f5es ir\u00e3o desaparecer, at\u00e9 que a profiss\u00e3o de advogado, tomara que n\u00e3o, ir\u00e1 desaparecer, porque voc\u00ea pergunta no iPhone e fala do seu problema. Ele d\u00e1 uma resposta dez vezes mais curta do que o advogado, o que demoraria duas ou tr\u00eas horas, agora voc\u00ea consegue em quest\u00e3o de segundos. Se eu tenho uma d\u00favida para fazer isso ou aquilo, em cinco segundos j\u00e1 \u00e9 dito que tenho que fazer isso e aquilo para resolver. A mesma coisa para os carros. Por que voc\u00ea vai querer ter um carro? Voc\u00ea pede e o carro aparece na sua frente sem motorista. Daqui a 20 anos n\u00e3o vai ter mais motorista de carro, n\u00e3o sei se \u00e9 verdade ou n\u00e3o. Tenham paci\u00eancia que eu estou fechando aqui. Vou resumir aquilo que nos interessa nessa realidade para responder e mostrar que n\u00f3s gostamos do mundo rural e somos interessados em saber o que vem e como n\u00f3s podemos nos encaixar no novo mundo rural. Temos que enfrentar tr\u00eas desafios que s\u00e3o terr\u00edveis. O primeiro \u00e9 o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico. H\u00e1 10 anos n\u00f3s plant\u00e1vamos cana do mesmo jeito, hoje tudo mudou, quando voc\u00ea aprender uma coisa j\u00e1 tem outra, a tecnologia est\u00e1 muito na frente e precisamos estar convencidos de que o poder do conhecimento e da informa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica vence qualquer barreira. \u00c0s vezes demora, mas vence. A mais demorada barreira de crescimento que se conhece \u00e9 aquela ultrapassada pelo Galileu Galilei, que desenvolveu o telesc\u00f3pio, e conseguiu vislumbrar as luas de Saturno e disse que Cop\u00e9rnico estava certo. A Terra n\u00e3o \u00e9 o centro do universo, esse foi o precursor da ci\u00eancia, porque ele criou uma ferramenta, enquanto Cop\u00e9rnico s\u00f3 idealizou. Quando Galilei disse que Cop\u00e9rnico estava certo, porque eu criei uma ferramenta e olhei, sabe o que aconteceu? Ele sofreu o processo da Santa Inquisi\u00e7\u00e3o e foi condenado. Morreu pobre, cego e sozinho, em 1642, condenado pela igreja cat\u00f3lica. Olha como essa hist\u00f3ria \u00e9 incr\u00edvel. Em 1980, o Papa Jo\u00e3o Paulo II pediu a revis\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o de Galileu Galilei, e em 1992, a igreja cat\u00f3lica o absolveu, 350 anos depois de sua morte. Ele estava certo. \u00c1s vezes, o conhecimento tem barreiras, mas veja bem, ele n\u00e3o era louco e sim estava certo. Tem gente que hoje est\u00e1 na frente com uma inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, uma ideia e falam que o cara \u00e9 louco, mas \u00e1s vezes o louco que est\u00e1 certo, porque quem est\u00e1 fazendo a mesma coisa h\u00e1 30 anos est\u00e1 seguindo o preceito da tradi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o esse \u00e9 um aprendizado que a civiliza\u00e7\u00e3o nos deu.<\/p>\n<p>Eu trouxe esse gr\u00e1fico para mostrar para voc\u00eas a popula\u00e7\u00e3o de 1950 e 2000 e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos como cresceu, ou seja, a tecnologia vence. Esse para comparar o Brasil com os Estados Unidos nos \u00faltimos 50 anos, aqui est\u00e3o os Estados Unidos em produtividade f\u00edsica por hectare e aqui estamos n\u00f3s, n\u00e3o \u00e9 fant\u00e1stico? A tecnologia d\u00e1 certo, \u00e9 incr\u00edvel, isso se chama intensifica\u00e7\u00e3o, quando plantamos algod\u00e3o no estado de S\u00e3o Paulo, quem se lembra? Muitos de n\u00f3s ficamos um pouco chateados, o algod\u00e3o desapareceu do estado de S\u00e3o Paulo, no Paran\u00e1 tamb\u00e9m n\u00e3o se planta algod\u00e3o, o algod\u00e3o foi para a Bahia, Goi\u00e1s, Mato Grosso e a produtividade l\u00e1 \u00e9 3 vezes maior do que produzimos aqui, e a fibra do algod\u00e3o \u00e9 sensacional, n\u00f3s ficamos para tr\u00e1s. Esta intensifica\u00e7\u00e3o, muita gente acha que causa problemas ecol\u00f3gicos, mas eu n\u00e3o concordo. Essa \u00e9 a \u00e1rea que produzimos hoje no Brasil, se n\u00f3s mantiv\u00e9ssemos o n\u00edvel de produtividade de 30 anos atr\u00e1s, n\u00f3s ter\u00edamos que produzir nessa \u00e1rea para ter a mesma produ\u00e7\u00e3o. Isso pode ser produzido num efeito ambiental com contribui\u00e7\u00e3o da tecnologia, ou seja, quanto mais produzirmos por hectare, mais n\u00f3s economizamos florestas, certo? Se n\u00f3s n\u00e3o tiv\u00e9ssemos aumentado a produtividade, n\u00f3s ter\u00edamos que ter produzido soja, milho, arroz, mas o que est\u00e1 acontecendo \u00e9 que os ganhos de produtividade est\u00e3o economizando \u00e1rea.<\/p>\n<p>Eu vou mostrar uma coisa para voc\u00eas entenderem a tend\u00eancia mundial. Este \u00e9 um desafio da tecnologia, o outro \u00e9 a globaliza\u00e7\u00e3o. Quem j\u00e1 viu um pouco da vida assim como eu e alguns que est\u00e3o aqui, lembrando que nos anos 80 no Brasil, todos discut\u00edamos quem era a favor e quem era contra a globaliza\u00e7\u00e3o. Eu lembro que o Nelson veio me procurar falando que estava entrando alho da China no Brasil, est\u00e1 acabando com o alho do Brasil, vamos proibir a importa\u00e7\u00e3o desse alho. Mas n\u00f3s queremos vender cana para eles. Se proibirmos a venda do alho deles aqui, eles n\u00e3o v\u00e3o gostar desta hist\u00f3ria, mas o que fazemos com nosso alho ent\u00e3o? N\u00f3s ficamos assim durante 10 anos, sem saber o que \u00e9 melhor: globalizar ou n\u00e3o globalizar, o que a hist\u00f3ria 30 anos depois, n\u00f3s descobrimos que a pergunta que dever\u00edamos ter feito n\u00e3o era aquela, mas essa aqui: voc\u00ea quer ser globalizado ou se globalizar? Porque a globaliza\u00e7\u00e3o vai acontecer do mesmo jeito, ent\u00e3o se vai acontecer da mesma forma, voc\u00ea quer se globalizar ou ser globalizado? Essa que era a pergunta a ser feita, e sabe o que significa isso? Quem se preparou para a globaliza\u00e7\u00e3o tirou proveito dela, e as empresas que n\u00e3o se prepararam se ferraram. Aquelas que viram a globaliza\u00e7\u00e3o e se prepararam, entraram no mercado globalizado e muitas tiraram sua vantagem e progrediram, enquanto outras ficaram para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>O terceiro desafio contempor\u00e2neo que estamos enfrentando \u00e9 a sustentabilidade, e eu penso, dou aulas, fa\u00e7o confer\u00eancias no Brasil fazendo a seguinte pergunta: voc\u00eas querem engolir ou dominar a sustentabilidade, sabe por qu\u00ea? Porque a sustentabilidade veio para ficar e \u00e9 parecida com a globaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o adianta gostar ou n\u00e3o, essa \u00e9 a for\u00e7a global, o mundo globalizado e tecnol\u00f3gico. \u00c9 tamb\u00e9m o mundo da sustentabilidade, e portanto, para n\u00f3s que queremos olhar para o futuro, voc\u00ea s\u00f3 tem uma sa\u00edda: dominar e se preparar, e assim tirar vantagem da sustentabilidade, caso contr\u00e1rio, voc\u00ea vai se ferrar e a sustentabilidade vai te tirar do mercado.<\/p>\n<p>Antes de eu ir para frente e finalizar, eu quero ainda chamar aten\u00e7\u00e3o de algumas coisas: a sustentabilidade, os requisitos da produ\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel, os problemas ecol\u00f3gicos v\u00e3o acabar com o mundo? Tem gente que fala: \u201cse fizer tal coisa o mundo vai acabar\u201d, e eu posso responder tranquilamente, o mundo n\u00e3o vai acabar. A mais importante previs\u00e3o sobre o fim do mundo foi feita no livro \u201cOs limites do crescimento\u201d de 1972. Essa era a previs\u00e3o sobre os recursos naturais da Terra, sobre crise ecol\u00f3gica e a previs\u00e3o mostrava, era o in\u00edcio do computador. O resumo da hist\u00f3ria: todas as curvas se inverteram e haveria um colapso na civiliza\u00e7\u00e3o nos dias atuais, o que n\u00e3o aconteceu e por qu\u00ea? A capacidade de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica foi superando os obst\u00e1culos e dando oportunidades, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 crescendo, os recursos naturais aumentando a pegada ecol\u00f3gica e novos materiais surgiram. Ent\u00e3o, falar sobre o mundo da sustentabilidade, global, tecnol\u00f3gico e olhar para frente, fiquem tranquilos porque n\u00e3o haver\u00e1 colapso na civiliza\u00e7\u00e3o, mas n\u00f3s precisamos desenvolver conhecimento. O dilema da civiliza\u00e7\u00e3o mostrou Cop\u00e9rnico e Galileu l\u00e1 atr\u00e1s, nessa capacidade. Quais s\u00e3o as novas tend\u00eancias tecnol\u00f3gicas?<\/p>\n<p>Primeiro, g\u00e1s carb\u00f4nico, hoje \u00e9 curioso, no Jap\u00e3o e Estados Unidos n\u00e3o se fala mais em sustentabilidade e sim economia de g\u00e1s carb\u00f4nico, por conta do aquecimento global. Ent\u00e3o, produzir no campo ou produzir na cidade, progressivamente vai ser exigido produzir com tecnologias de baixo carbono, e fundamentalmente, com energia renov\u00e1vel e produtos que n\u00e3o gerem g\u00e1s para a atmosfera. Essa \u00e9 uma tend\u00eancia tecnol\u00f3gica, todas as agriculturas do mundo v\u00e3o seguir essa tend\u00eancia e n\u00f3s n\u00e3o vamos ficar fora dela, quem ficar de fora vai se ferrar, essa \u00e9 a tend\u00eancia.<\/p>\n<p>A segunda tend\u00eancia, consequ\u00eancia da primeira, \u00e9 a biotecnologia, que significa controle biol\u00f3gico de pragas e doen\u00e7as, mas tamb\u00e9m energia gen\u00e9tica, desenvolvimento e aprimoramento de organismos produtivos. Essa \u00e9 uma tend\u00eancia que os grandes laborat\u00f3rios est\u00e3o investindo muito nisso.<\/p>\n<p>A terceira tend\u00eancia s\u00e3o as chamadas fazendas inteligentes, que n\u00e3o precisam de terra mais para produzir. Um exemplo \u00e9 a Smart Farm da Austr\u00e1lia, que produz tomate, planta em quinhentos hectares e usa \u00e1gua retirada do mar e zero pesticida, porque no deserto n\u00e3o tem pat\u00f3geno. Usando um c\u00edrculo fechado de energia, energia solar como fundamental, tem alta qualidade e produtividade, 100% de rastreamento, mas ainda \u00e9 cara, pois a pequena escala \u00e9 cara, quando se amplia a escala diminui o pre\u00e7o. Em termos de produ\u00e7\u00e3o essa \u00e9 a tend\u00eancia, economia circular, o que \u00e9 lixo para um acaba sendo mat\u00e9ria prima para outro, n\u00e3o \u00e9 mais reciclagem, \u00e9 mais integr\u00e1vel. Aqui no Brasil a gente n\u00e3o consegue nem fazer a reciclagem urbana, separar lixo org\u00e2nico do recicl\u00e1vel, enquanto o mundo j\u00e1 est\u00e1 trabalhando em economia circular, sem desperd\u00edcios. Isso \u00e9 um pouco de economia circular, a integra\u00e7\u00e3o lavoura \u2013 pecu\u00e1ria \u2013 florestas, que \u00e9 uma tend\u00eancia, j\u00e1 existem cinco milh\u00f5es de hectares no Brasil com essa integra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 come\u00e7o, meio e fim, isso volta para o come\u00e7o, \u00e9 tend\u00eancia tecnol\u00f3gica, do futuro, \u00e9 alimento saud\u00e1vel, gastronomia diferenciada, ali\u00e1s, na gastronomia muitas coisas curiosas est\u00e3o acontecendo. Esta \u00e9 a mais fant\u00e1stica delas, os insetos est\u00e3o chegando \u00e0s mesas, e com certeza farinhas de insetos ser\u00e3o misturadas a farinhas e farofas e distribu\u00eddas a polos que precisam de mais prote\u00edna, porque os insetos t\u00eam uma m\u00e9dia de 50% de prote\u00edna sobre seu peso. Quem sabe daqui a uns anos estaremos indo para a padaria comprar p\u00e3o com um pouco de gafanhoto na farinha de trigo.<\/p>\n<p>Aqui tem uma historinha para mostrar a tend\u00eancia, isso \u00e9 uma rede de supermercados norte americana, a Whole Foods Market, que tem 460 lojas, faturou 16 bilh\u00f5es de d\u00f3lares no ano passado e tem mais de 87 mil empregados. Ela foi comprada pela Amazon na semana passada. Voc\u00eas acham que org\u00e2nico \u00e9 uma tend\u00eancia boa ou ruim? Voc\u00eas acham que a Amazon ia comprar algo que n\u00e3o tem futuro? S\u00e3o tend\u00eancias no n\u00facleo da economia global, n\u00e3o \u00e9 pouca coisa, porque no Brasil muita gente v\u00ea essas coisas como sendo da ro\u00e7a e antigo, mas n\u00e3o, org\u00e2nico \u00e9 capitalista e profissional. De repente eu quero fazer para entrar em um circuito diferente, tamb\u00e9m pode, tem tend\u00eancias tecnol\u00f3gicas que est\u00e3o afinadas com aquilo que eu apresentei hoje. O mundo cada vez mais urbanizado, virtualizado, com tecnologias avan\u00e7ando cada vez mais, e no meio disso muitas oportunidades e vantagens. O mundo est\u00e1 indo para frente, os problemas ecol\u00f3gicos n\u00e3o v\u00e3o acabar com o mundo. Eu quero trazer uma vis\u00e3o otimista dos problemas que teremos que enfrentar e sobre as oportunidades que v\u00e3o nos abrir, mas eu vou fazer uma pausa agora para terminar. Vou fazer essa pergunta e qual \u00e9 a resposta? N\u00e3o, s\u00f3 tecnologia n\u00e3o resolve, \u00e9 preciso de coopera\u00e7\u00e3o e companheirismo, hoje a garotada que faz empreendedorismo fala em \u201cCocria\u00e7\u00e3o\u201d para enfrentar o mundo globalizado e tecnol\u00f3gico. No mundo da sustentabilidade \u00e9 preciso coopera\u00e7\u00e3o, sozinho vai quebrar a cara. Como no caso dos brasileiros, mesmo todos vindo ajudar hoje, o brasileiro \u00e9 muito individualista, \u00e9 dif\u00edcil essa for\u00e7a da coopera\u00e7\u00e3o. Tem gente que acha chato, eu penso ainda que mais do que coopera\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso ter novas atitudes e aqui est\u00e3o sete delas, eu apelidei como \u201cos sete fazeres\u201d.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 n\u00e3o esperar e sim fazer acontecer. A segunda \u00e9 parar de reclamar e sim ir fazer, o agricultor brasileiro reclama muito. O terceiro: corra atr\u00e1s de conhecimento e saiba fazer, o quarto \u00e9 participar e fazer pol\u00edtica, meio dif\u00edcil falar sobre isso nos tempos de hoje, mas \u00e9 fundamental, \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o. O quinto \u00e9 mudar, fazer inova\u00e7\u00e3o e ajudar os outros fazendo o bem, ent\u00e3o, quando me perguntam se podemos enfrentar o novo rural, \u00e9 claro que d\u00e1, mas n\u00e3o pensando no passado, \u00e9 preciso correr atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 nosso maior desafio? Como vencer esses desafios da coopera\u00e7\u00e3o, novas atitudes, tecnologia, como? Eu respondo: dando poder aos jovens, eles que s\u00e3o capazes de vencer esses desafios. Quem j\u00e1 caminhou na vida como alguns de n\u00f3s, se acreditamos que \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o que devemos dar ao mundo novo, \u00e9 ter a sabedoria de como ver os mais jovens, e nem sempre estamos fazendo isso. Estamos envelhecendo, e os jovens saindo do nosso lado, as nossas atitudes n\u00e3o est\u00e3o os atraindo, fora a cidade e o virtual que o atrai, mas \u00e9 claro, voc\u00ea n\u00e3o coloca nem uma antena de internet na fazenda, voc\u00ea quer que o jovem fique do seu lado como? Voc\u00ea quer que ele fique desligado em um mundo conectado? Ele vai embora, a sucess\u00e3o familiar da agricultura est\u00e1 sendo um drama no Brasil e no mundo inteiro, por problemas dessa natureza, n\u00f3s temos que ser capazes de dar esse passo.<\/p>\n<p>Nos sindicatos no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul \u00e9 proibido ser eleito na vez seguinte, ent\u00e3o o que \u00e9 feito: ele prepara um sucessor. N\u00f3s precisamos preparar os nossos sucessores, porque, por mais que nos esforcemos, n\u00e3o sabemos falar ingl\u00eas direito, no mundo globalizado se voc\u00ea n\u00e3o falar ingl\u00eas vai acabar se ferrando, assim como \u00e9 preciso estar conectado no mundo tecnol\u00f3gico. E quem n\u00e3o vai se ferrar? Os nossos filhos, mas eles precisam estar do nosso lado, este \u00e9 o nosso maior desafio, como cada um vence esses desafios \u00e9 preciso ver as possibilidades de cada um, enquanto estamos vendo crise, a molecada est\u00e1 vendo oportunidade, esse \u00e9 o novo mundo rural.<\/p>\n<p>Estou terminando, tive a ousadia de trazer minhoca para a cabe\u00e7a de voc\u00eas e chamar aten\u00e7\u00e3o para o fundamental das tend\u00eancias tecnol\u00f3gicas, as tend\u00eancias globais e os desafios de segurar nossos jovens. Vou fazer uma confiss\u00e3o, sou um homem de muita sorte, n\u00e3o apenas porque estou falando com voc\u00eas e na vida fiz coisas, mas sim porque quando eu sair daqui, eu irei sentar na plateia e minha filha far\u00e1 uma apresenta\u00e7\u00e3o para voc\u00eas, e eu vou aprender com o que ela vai falar sobre certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica. Isso me emociona, mas \u00e9 a minha hist\u00f3ria, porque eu n\u00e3o fiz com ela o que meu pai fez comigo, quando eu me formei em Piracicaba na ESALQ, eu fui tentar ajudar meu pai na fazenda em Araras, e na terceira vez que ele falou: \u201cacabou de se formar e j\u00e1 quer dar aula?\u201d, eu fui prestar concurso e comecei a dar aulas na Unesp em Jaboticabal. Quanto mais escuro for a noite, mais brilhante as estrelas. Obrigado!<\/p>\n<h6>Eng. Agr\u00f4nomo pela Esalq\/USP, mestre\u00a0em Economia Agr\u00e1ria pela USP\u00a0e Doutor em Administra\u00e7\u00e3o pela FGV\/SP, foi professor\u00a0da Unesp\/Jaboticabal, ocupou v\u00e1rios cargos p\u00fablicos destacando-se os de Secret\u00e1rio Estadual do Meio Ambiente (2007-2010), Deputado Federal pelo PSDB\/SP (1998 \u2013 2006),\u00a0 Secret\u00e1rio\u00a0Estadual de Agricultura (1996-98), Presidente do Incra (1995) e Chefe do Gabinete Pessoal do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995).\u00a0Conferencista e escritor, publicou dez livros sobre os\u00a0temas da quest\u00e3o agr\u00e1ria, agricultura, sustentabilidade e democracia. Consultor em organiza\u00e7\u00e3o, marketing de agroneg\u00f3cios e sustentabilidade, \u00e9 professor de MBA da FGV\/SP, s\u00f3cio-diretor da\u00a0OIA Brasil\/Certifica\u00e7\u00e3o s\u00f3cio ambiental e s\u00f3cio-diretor da ePolitics Graziano, empresa de posicionamento digital.<\/h6>\n<a class=\"synved-social-button synved-social-button-share synved-social-size-48 synved-social-resolution-single synved-social-provider-facebook nolightbox\" data-provider=\"facebook\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\" title=\"Share on Facebook\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Fwww.bunkyorural.com.br%2Findex.php%2Fwp-json%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F1017&#038;t=Palestra%20de%20Francisco%20Graziano%20Neto%20no%208%C2%BA%20Bunkyo%20Rural&#038;s=100&#038;p&#091;url&#093;=https%3A%2F%2Fwww.bunkyorural.com.br%2Findex.php%2Fwp-json%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F1017&#038;p&#091;images&#093;&#091;0&#093;=http%3A%2F%2Fwww.bunkyorural.com.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2017%2F10%2FFrancisco-Graziano-300x207.jpg&#038;p&#091;title&#093;=Palestra%20de%20Francisco%20Graziano%20Neto%20no%208%C2%BA%20Bunkyo%20Rural\" style=\"font-size: 0px; 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