﻿{"id":1525,"date":"2021-06-23T13:30:34","date_gmt":"2021-06-23T16:30:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.bunkyorural.com.br\/?p=1525"},"modified":"2021-07-02T19:13:48","modified_gmt":"2021-07-02T22:13:48","slug":"a-agricultura-que-cria-florestas-em-tome-acu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/index.php\/a-agricultura-que-cria-florestas-em-tome-acu\/","title":{"rendered":"A AGRICULTURA QUE CRIA FLORESTAS EM TOM\u00c9-A\u00c7U"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/banner-digital-BRural-TomeAcu-2-testeira.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright size-large wp-image-1530\" src=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/banner-digital-BRural-TomeAcu-2-testeira-1024x408.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/banner-digital-BRural-TomeAcu-2-testeira-1024x408.jpg 1024w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/banner-digital-BRural-TomeAcu-2-testeira-300x119.jpg 300w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/banner-digital-BRural-TomeAcu-2-testeira-768x306.jpg 768w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/banner-digital-BRural-TomeAcu-2-testeira-138x55.jpg 138w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/banner-digital-BRural-TomeAcu-2-testeira-470x187.jpg 470w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/banner-digital-BRural-TomeAcu-2-testeira.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>Uma solu\u00e7\u00e3o para o Brasil, que sofre press\u00f5es internas e externas por quest\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, foi apresentada por descendentes de japoneses do Estado do Par\u00e1 no 13\u00ba Bunkyo Rural, que teve como tema \u201cSistemas Agroflorestais \u2013 SAFTA\u201d, e realizado no formato on-line no dia 16 de abril, contando com a participa\u00e7\u00e3o de grandes autoridades.<\/strong><\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1950, Tom\u00e9-A\u00e7u prosperou com a cultura da pimenta-do-reino, chamada at\u00e9 de \u201cdiamante negro\u201d, e foi o seu maior produtor mundial, transformando aquela pequena cidade, distante 220 km de Bel\u00e9m, no detentor do segundo maior Produto Interno Bruto do Estado do Par\u00e1, perdendo apenas para a capital.<\/p>\n<p>A alegria durou pouco. Na d\u00e9cada de 1960, ap\u00f3s sucessivos cultivos da pimenta nas mesmas terras, come\u00e7ou a prolifera\u00e7\u00e3o de fusariose, uma doen\u00e7a infecciosa causada por um fungo conhecido como \u201cfusarium\u201d, que causa o apodrecimento da raiz. A fusariose pode ser vista tamb\u00e9m em qualquer cultivo, como maracuj\u00e1, abacaxi e batata, e at\u00e9 hoje n\u00e3o foi encontrado um controle qu\u00edmico eficaz.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, muitas das planta\u00e7\u00f5es do \u201cdiamante negro\u201d de Tom\u00e9-A\u00e7u foram dizimadas por aquele fungo, e al\u00e9m disso, o pre\u00e7o do produto no mercado caiu no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960 devido \u00e0 concorr\u00eancia de novos produtores de outros estados e tamb\u00e9m de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Os agricultores de Tom\u00e9-A\u00e7u, que viviam bem at\u00e9 ent\u00e3o, gra\u00e7as ao \u201cdiamante negro\u201d, passaram a ter uma vida realmente dif\u00edcil, e n\u00e3o foram poucos os que deixaram o campo \u00e0 procura de novos horizontes.<\/p>\n<p>Os japoneses que permaneceram na agricultura tiveram que buscar outras op\u00e7\u00f5es. Uma das mais interessantes foi o maracuj\u00e1. O consumo dessa fruta come\u00e7ou a crescer em meados da d\u00e9cada de 1970 \u00e0 n\u00edvel mundial. O Brasil, que nem figurava entre os maiores produtores no come\u00e7o dos anos 70, chegou ao final da d\u00e9cada como o maior exportador mundial. \u201cA introdu\u00e7\u00e3o da cultura do maracuj\u00e1 foi bem vista, uma vez que as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ajudam, mas logo causou uma superprodu\u00e7\u00e3o e o consequente excesso de oferta nos mercados do Par\u00e1 e S\u00e3o Paulo, derrubando os pre\u00e7os\u201d, explica Alberto Oppata, presidente da Cooperativa Agr\u00edcola Mista de Tom\u00e9-A\u00e7u \u2013 CAMTA, em sua palestra.<\/p>\n<p>Para evitar que tal problema se repita, a CAMTA decidiu investir numa unidade industrial para produzir-se polpas da fruta e assim aproveitar o excedente. Assim, a primeira ind\u00fastria para processamento de 20 toneladas foi erguida em 1987, com a ajuda do governo japon\u00eas, atrav\u00e9s da Japan Internacional Cooperation Agency \u2013 JICA.<\/p>\n<p>Essa solu\u00e7\u00e3o, com certeza, ajudou os produtores de maracuj\u00e1 e de outras frutas da regi\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o resolvia um outro problema que \u00e9 t\u00edpico da monocultura, ou seja, aquele solo utilizado repetidas vezes para a mesmo cultivo facilitava a prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, como a fusariose. Al\u00e9m disso, para possibilitar uma altern\u00e2ncia de solo, o agricultor precisava desmatar cada vez mais, provocando um desequil\u00edbrio no meio ambiente nativo. O desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico causado pelos primeiros agricultores, que se fixaram na regi\u00e3o, acabou ajudando, por exemplo, na prolifera\u00e7\u00e3o dos pernilongos e da consequente transmiss\u00e3o da mal\u00e1ria, o que levou muitos agricultores a perderem a vida.<\/p>\n<p><strong>A solu\u00e7\u00e3o estava fisicamente bem perto<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_1534\" style=\"width: 425px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sakaguchi-pimenta-do-reinoPB1-69.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1534\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-1534\" src=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sakaguchi-pimenta-do-reinoPB1-69.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"273\" srcset=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sakaguchi-pimenta-do-reinoPB1-69.jpg 630w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sakaguchi-pimenta-do-reinoPB1-69-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sakaguchi-pimenta-do-reinoPB1-69-83x55.jpg 83w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sakaguchi-pimenta-do-reinoPB1-69-470x310.jpg 470w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sakaguchi-pimenta-do-reinoPB1-69-100x65.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1534\" class=\"wp-caption-text\">Noboru Sakaguchi<\/p><\/div>\n<p>Noboru Sakaguchi, engenheiro florestal rec\u00e9m-formado na Universidade Agr\u00edcola de T\u00f3quio, chegou ao Estado do Par\u00e1 em 1957, pretendendo cultivar seringueira e produzir a borracha. Ele plantou 12 hectares. Na \u00e9poca, Tom\u00e9-A\u00e7u vivia o auge da pimenta-do-reino e ningu\u00e9m falava em desequil\u00edbrio ambiental, exceto o engenheiro agr\u00f4nomo japon\u00eas, Henkichi Hiraga, primeiro presidente da CAMTA fundada em 1949, que j\u00e1 advertia a todos sobre o grande risco que corriam com a monocultura. Sakaguchi tamb\u00e9m plantou a pimenta-do-reino, mas se preocupou em plantar outras variedades no meio, que pudessem lhe proporcionar um retorno mais imediato.<\/p>\n<p>Sakaguchi percebeu que a pr\u00f3pria natureza fazia o equil\u00edbrio ambiental, e ao viajar pela Amaz\u00f4nia, notou que a popula\u00e7\u00e3o ribeirinha vivia de maneira simples, mas n\u00e3o passava fome. Os ribeirinhos plantam v\u00e1rios tipos de \u00e1rvores frut\u00edferas ao redor de suas casas, e enquanto uma est\u00e1 em fase de crescimento, outra d\u00e1 frutos e eles se alimentam deles. Depois, quando termina a fase daquela fruta, a outra variedade est\u00e1 no ponto para ser colhida, e assim sucessivamente. Era um cultivo misto realizado de acordo com a pr\u00f3pria natureza da Amaz\u00f4nia. Isso fez com que Sakaguchi come\u00e7asse a plantar v\u00e1rias outras culturas de maneira mista. Ele chegou a explicar para outros agricultores, de que a agricultura deveria ser pensada de outra maneira na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, que \u00e9 diferente das regi\u00f5es Sul e Sudeste do Brasil, mas como a pimenta-do-reino estava dando lucro, ningu\u00e9m tomou provid\u00eancia. Afinal, ningu\u00e9m mexe em time que est\u00e1 vencendo.<\/p>\n<p>J\u00e1 as experi\u00eancias anteriores dos imigrantes japoneses deveriam ter ensinado o risco da monocultura. As primeiras 187 fam\u00edlias de imigrantes japoneses chegaram na Col\u00f4nia Acar\u00e1 (atualmente Tom\u00e9-A\u00e7u) em 1929, atrav\u00e9s da Companhia Nip\u00f4nica de Planta\u00e7\u00e3o do Brasil \u201cNantaku\u201d, para plantar cacau. Derrubaram \u00e1rvores, promoveram queimadas, e plantaram uma \u00e1rea consider\u00e1vel, mas ignoraram os raios solares fortes da regi\u00e3o, enquanto o cacau costuma crescer na sombra. Depois, tentaram cultivar hortali\u00e7as, e tiveram que providenciar o transporte dali at\u00e9 o porto, numa viagem de tr\u00eas horas, e mais o transporte de barco at\u00e9 o Mercado Ver-o-Peso, em Bel\u00e9m, que levava uma noite. Sofreram muito at\u00e9 encontrarem a pimenta-do-reino trazida em 1933, por Makinossuke Ussui, funcion\u00e1rio da \u201cNantaku\u201d, que viajou do porto de Kobe, no Jap\u00e3o, com a d\u00e9cima terceira leva de imigrantes. Ussui aproveitou a parada em Cingapura para pegar 20 mudas de pimenta-do-reino e as trouxe ao Brasil. Das 20 mudas, que foram preservadas na Esta\u00e7\u00e3o Experimental de A\u00e7aizal, somente duas sobreviveram, mas foram suficientes para mudar o destino dos japoneses do Par\u00e1. Na \u00e9poca, j\u00e1 havia pimenta-do-reino naquele Estado trazida pelos portugueses, mas n\u00e3o era uma variedade produtiva.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-1529\" src=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Palestra-Bunkyo-Rural-A-Homma.jpg\" alt=\"\" width=\"1040\" height=\"585\" srcset=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Palestra-Bunkyo-Rural-A-Homma.jpg 960w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Palestra-Bunkyo-Rural-A-Homma-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Palestra-Bunkyo-Rural-A-Homma-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Palestra-Bunkyo-Rural-A-Homma-98x55.jpg 98w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Palestra-Bunkyo-Rural-A-Homma-470x264.jpg 470w\" sizes=\"(max-width: 1040px) 100vw, 1040px\" \/><\/p>\n<p>A monocultura da pimenta-do-reino deu bons resultados, mas foi uma alegria moment\u00e2nea, e aprenderam ent\u00e3o que, qualquer monocultura ter\u00e1 o mesmo destino.<\/p>\n<p><strong>A solu\u00e7\u00e3o para evitar o desmatamento foi criar uma agricultura sustent\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo Alfredo Homma, pesquisador da Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental, disse em sua palestra, que na Amaz\u00f4nia foram desmatados 78 milh\u00f5es de hectares, que equivale mais do que os espa\u00e7os ocupados pelos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paran\u00e1 juntos, ou tr\u00eas vezes o tamanho do Estado de S\u00e3o Paulo. Ou numa dimens\u00e3o internacional, cabem dois Jap\u00e3o nessa \u00e1rea desmatada. Esse \u00e9, portanto, um grande problema que precisa ser solucionado.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o encontrada em Tom\u00e9-A\u00e7u, e que hoje \u00e9 apontado como um modelo de gest\u00e3o, expande para outras regi\u00f5es da Bacia Amaz\u00f4nica e de v\u00e1rios pa\u00edses. V\u00e1rias plantas s\u00e3o cultivadas simultaneamente no mesmo lugar, formando um equil\u00edbrio, tal qual proporcionado pela natureza. O modelo recebeu o nome de SAFTA \u2013 Sistema Agroflorestal de Tom\u00e9-A\u00e7u.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas de recupera\u00e7\u00e3o ambiental, mas sim, de proporcionar rendimentos aos produtores. Segundo Alberto Oppata, hoje, nas \u00e1reas onde havia o cultivo somente da pimenta-do-reino em Tom\u00e9-A\u00e7u, h\u00e1 uma planta\u00e7\u00e3o consorciada de culturas de curto, m\u00e9dio e longo prazo, ou seja, de maracuj\u00e1, pimenta-do-reino, cacau, seringueira e dend\u00ea. Esse projeto foi feito entre as d\u00e9cadas de 80 para final de 90. Foi uma forma encontrada para que o agricultor tivesse uma renda de curto, m\u00e9dio e longo prazo. No primeiro ano, ele vai ter uma receita com maracuj\u00e1, e antes do maracuj\u00e1, o arroz e o feij\u00e3o permitir\u00e3o a subsist\u00eancia. A pimenta-do-reino come\u00e7a a produzir no terceiro ano, e o cacau come\u00e7a a produzir no quinto ano como cultura perene. Hoje, tem tamb\u00e9m o a\u00e7a\u00ed, no quinto ano, e no 35\u00ba ano j\u00e1 haver\u00e1 uma forma\u00e7\u00e3o completa com esp\u00e9cies florestais, e o agricultor teve rendimento durante todo esse tempo.<\/p>\n<p>O SAFTA fez com que o produtor n\u00e3o precisasse buscar e desmatar novas \u00e1reas. Fez com que o produtor pudesse se fixar numa \u00e1rea, produzindo no sistema consorciado, e pelos estudos, permanecendo durante 35 anos. Depois desse per\u00edodo, poder\u00e1 extrair a madeira crescida e gerar mais recursos financeiros, para iniciar o ciclo novamente.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o dos dirigentes da CAMTA tamb\u00e9m contempla a recupera\u00e7\u00e3o da fertilidade do solo. Depois de 90 anos extraindo os componentes minerais do solo atrav\u00e9s da agricultura e, principalmente, da monocultura, o solo precisa de recomposi\u00e7\u00e3o, necessita da devolu\u00e7\u00e3o desses materiais para se tornar produtivo novamente. Os compostos qu\u00edmicos, ou adubos, passam a n\u00e3o responder mais depois de algum tempo. Assim, a solu\u00e7\u00e3o encontrada foi transformar os res\u00edduos da produ\u00e7\u00e3o do suco de frutas em compostagem para utiliza\u00e7\u00e3o na aduba\u00e7\u00e3o. Esse material \u00e9 vendido ao agricultor a pre\u00e7o de custo para melhorar a fertilidade do solo.<\/p>\n<p><strong>A ajuda do governo japon\u00eas foi fundamental para o sucesso<\/strong><\/p>\n<p>O governo japon\u00eas vem ajudando os imigrantes de Tom\u00e9-A\u00e7u a alcan\u00e7arem uma estabilidade. Foi o que revelou Masayuki Eguchi, representante chefe da Ag\u00eancia de Coopera\u00e7\u00e3o Internacional \u2013 JICA, em sua palestra.<\/p>\n<p>Em 1974, em meio \u00e0s dificuldades para encontrar uma cultura apropriada para as condi\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o, o Jap\u00e3o apoiou a implanta\u00e7\u00e3o da Instituto Experimental de Agricultura Tropical da Amaz\u00f4nia. Dez anos depois, a JICA ajudou na constru\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica de polpas da CAMTA para aproveitar melhor as frutas produzidas pelos cooperados, al\u00e9m de fornecer uma coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para a difus\u00e3o do Sistema Agroflorestal de Tom\u00e9-A\u00e7u desde 1990.<\/p>\n<p>Entre 1990 e 2016, a JICA implementou sete projetos de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica em conjunto com a Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental e Apoio ao Projeto Comunit\u00e1rio. Esses projetos contemplam o desenvolvimento de um sistema de produ\u00e7\u00e3o adequado para os tr\u00f3picos \u00famidos da Amaz\u00f4nia, promo\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o ambiental para moradores locais, atividades relacionadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da floresta, melhoria dos m\u00e9todos utilizando os recursos florestais para melhorar a vida dos residentes ribeirinhos, desenvolvimento de mercado e plano de certifica\u00e7\u00e3o agroflorestal, para amplia\u00e7\u00e3o de mercado, que proporciona aumento da renda dos agricultores, al\u00e9m de ajudar na conserva\u00e7\u00e3o ambiental da Amaz\u00f4nia. Como resultado desse projeto, que foi implementado em parceria com a CAMTA e a Universidade de Agricultura de T\u00f3quio, o cacau produzido em Tom\u00e9-A\u00e7u obteve a certifica\u00e7\u00e3o Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica em 2018.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da JICA, at\u00e9 hoje 659 t\u00e9cnicos brasileiros, incluindo profissionais da Embrapa, participaram dos Cursos de Capacita\u00e7\u00e3o no Jap\u00e3o sobre assuntos ligados \u00e0 agricultura, e os temas mais recentes foram \u201cDesenvolvimento de Valor de Cadeia\u201d e \u201cTransforma\u00e7\u00e3o Digital\u201d.<\/p>\n<p>Entendendo que a Bacia Amaz\u00f4nica \u00e9 um imenso conjunto que engloba v\u00e1rios pa\u00edses, e precisa ser preservado, a JICA vem realizando o Curso de Tecnologia de Sistemas Agroflorestais a n\u00edvel internacional. No curso realizado em Tom\u00e9-A\u00e7u, participaram t\u00e9cnicos da Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Equador, Peru e Venezuela, onde a experi\u00eancia da comunidade nikkei de Tom\u00e9-A\u00e7u ajudou na elabora\u00e7\u00e3o de planos de a\u00e7\u00e3o nesses pa\u00edses.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jica-historia-da-cooperacao-tecnica-agricola.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-1532\" src=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jica-historia-da-cooperacao-tecnica-agricola-1024x770.jpg\" alt=\"\" width=\"712\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jica-historia-da-cooperacao-tecnica-agricola-1024x770.jpg 1024w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jica-historia-da-cooperacao-tecnica-agricola-300x226.jpg 300w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jica-historia-da-cooperacao-tecnica-agricola-768x578.jpg 768w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jica-historia-da-cooperacao-tecnica-agricola-73x55.jpg 73w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jica-historia-da-cooperacao-tecnica-agricola-470x353.jpg 470w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jica-historia-da-cooperacao-tecnica-agricola.jpg 1436w\" sizes=\"(max-width: 712px) 100vw, 712px\" \/><\/a>Cabe lembrar, que al\u00e9m do aux\u00edlio t\u00e9cnico e financeiro para a agricultura, a JICA oferece ajuda na \u00e1rea de servi\u00e7os de sa\u00fade. A popula\u00e7\u00e3o nikkei local estava envelhecendo e necessitando de assist\u00eancia m\u00e9dica, enquanto os servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o conseguem atender essa grande demanda.<\/p>\n<p>No Par\u00e1, a Benefic\u00eancia Nipo-Brasileira da Amaz\u00f4nia, com o nome anterior de Associa\u00e7\u00e3o de Assist\u00eancia aos Imigrantes Japoneses da Amaz\u00f4nia, foi fundada em 1965, e possui atualmente o Hospital da Amaz\u00f4nia em Bel\u00e9m, o Hospital Amaz\u00f4nia de Quadro Bocas, em Tom\u00e9-A\u00e7u, e o Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o Social em Ananindeua. A constru\u00e7\u00e3o dos hospitais contou com a ajuda da comunidade local, de institui\u00e7\u00f5es e empresas japonesas. A Benefic\u00eancia Nipo-Brasileira da Amaz\u00f4nia oferece ainda servi\u00e7os de atendimento m\u00e9dico m\u00f3vel \u00e0s pessoas que residem em locais de dif\u00edcil acesso, e esse trabalho \u00e9 desenvolvido em parceria com a JICA.<\/p>\n<p>Segundo Eguchi, entre 2021 e 2026, a JICA implementar\u00e1 o projeto para a melhoria do desmatamento ilegal na Amaz\u00f4nia atrav\u00e9s de tecnologias avan\u00e7adas do Radar de Abertura Sint\u00e9tica (SAR) e intelig\u00eancia artificial, junto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente \u2013 IBAMA. A entidade executar\u00e1 tamb\u00e9m o projeto de agricultura inteligente, que recebeu o nome de \u201cDesenvolvimento Colaborativo da Agricultura de Precis\u00e3o Digital para o Fortalecimento do Ecossistema de Inova\u00e7\u00e3o e a Sustentabilidade do Agro Brasileiro\u201d, junto com a Embrapa. Em rela\u00e7\u00e3o a esse projeto, foi definida como \u00e1rea piloto a comunidade de Tom\u00e9-A\u00e7u, que poder\u00e1 ter o horizonte ampliado para obter melhores resultados na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Empresas tamb\u00e9m investem no Sistema Agroflorestal<\/strong><\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com o aquecimento global tem levado institui\u00e7\u00f5es e empresas do mundo inteiro a olharem para a Bacia Amaz\u00f4nica, que tem o maior volume de \u00e1gua doce do mundo e abriga a maior floresta equatorial e tropical do mundo, e \u00e9 extremamente rica em biodiversidade, fauna e flora, sendo em grande parte respons\u00e1vel pelo equil\u00edbrio ambiental e clim\u00e1tico do mundo.<\/p>\n<p>Uma dessas empresas \u00e9 a Natura, uma ind\u00fastria nacional de cosm\u00e9ticos, que participou do 13\u00ba Bunkyo Rural atrav\u00e9s da sua coordenadora de inova\u00e7\u00e3o Camila Br\u00e1s Costa, apresentando a liga\u00e7\u00e3o da empresa com a SAFTA.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/natura-bioinspiracao.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-1531\" src=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/natura-bioinspiracao-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1042\" height=\"586\" srcset=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/natura-bioinspiracao-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/natura-bioinspiracao-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/natura-bioinspiracao-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/natura-bioinspiracao-98x55.jpg 98w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/natura-bioinspiracao-470x264.jpg 470w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/natura-bioinspiracao.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1042px) 100vw, 1042px\" \/><\/a>A Natura possui um estudo de 13 anos, que pode ser o mais completo estudo de sistema agroflorestal com dend\u00ea do mundo. O \u00f3leo de palma, tamb\u00e9m conhecido como azeite de dend\u00ea, \u00e9 extra\u00eddo do fruto da palmeira de dend\u00ea, e \u00e9 o \u00f3leo mais consumido no mundo. Mais de 50% dos produtos que est\u00e3o na g\u00f4ndola de supermercado cont\u00e9m o \u00f3leo de palma e na ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos tamb\u00e9m se faz uso do mesmo \u00f3leo.<\/p>\n<p>Os principais produtores mundiais do \u00f3leo de palma, que s\u00e3o a Mal\u00e1sia e a Indon\u00e9sia, mostram que a cadeia de fornecimento do \u00f3leo est\u00e1 atrelada ao desmatamento e est\u00e1 gerando conflitos sociais, porque a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o contempla a sustentabilidade de forma abrangente. Na Amaz\u00f4nia brasileira, que tamb\u00e9m produz dend\u00ea, pode-se obter um resultado muito melhor porque est\u00e1 sendo introduzido dentro do sistema agroflorestal.<\/p>\n<p>Quando comparado com a monocultura do dend\u00ea, que comporta 143 plantas em um hectare, no SAF o dend\u00ea ter\u00e1 menos aproveitamento da terra (81 a 99 plantas por hectare) porque est\u00e1 no meio de outras plantas. Mas o objetivo \u00e9 ter diversidade, por isso, na mesma \u00e1rea tem cacau, a\u00e7a\u00ed e esp\u00e9cies anuais que ajudam o agricultor a cobrir os custos iniciais de implanta\u00e7\u00e3o. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel aproveitar as \u00e1reas desmatadas e reconstituir a floresta, e ainda possibilitar um meio de vida aos produtores locais.<\/p>\n<p>Outro investimento da Natura nessa regi\u00e3o amaz\u00f4nica \u00e9 na ucu\u00faba, que \u00e9 uma planta cujo fruto oferece uma manteiga usada para hidrata\u00e7\u00e3o e que \u00e9 utilizada nos produtos da Natura. Antes disso, a ucu\u00faba servia apenas no aproveitamento de sua madeira para produtos como cabo de vassoura e na constru\u00e7\u00e3o civil, sem alcan\u00e7ar um valor relevante. \u201cTemos relatos dos agricultores, que pela venda para a Natura eles passaram a receber tr\u00eas vezes mais do que recebiam na venda da madeira. E n\u00f3s falamos num horizonte de produ\u00e7\u00e3o de pelo menos 10 anos, por isso, a ucu\u00faba, que \u00e9 uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, passa a ser um recurso gen\u00e9tico valorizado dentro daquele bioma e tamb\u00e9m trazendo uma renda interessante para o agricultor\u201d, concluiu Camila.<\/p>\n<p><strong>O olhar do governo federal sobre a agricultura do futuro<\/strong><\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1990, mostrava que era necess\u00e1rio um grande volume de terras e muitas horas de trabalho do homem para se promover a produ\u00e7\u00e3o no campo. At\u00e9 essa \u00e9poca, menos de 25% da produtividade era explicada pelo fator tecnologia. J\u00e1 na virada do s\u00e9culo, mais de 70% dos fatores tem a ver com a introdu\u00e7\u00e3o da tecnologia, pela inova\u00e7\u00e3o, explica Cleber Oliveira Soares, diretor de inova\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento \u2013 MAPA, mostrando como a tecnologia se tornou importante para a agricultura em t\u00e3o pouco tempo.<\/p>\n<p>Tra\u00e7ando um cen\u00e1rio para a agricultura no futuro pr\u00f3ximo, Cleber citou a popula\u00e7\u00e3o mundial atual de 7 bilh\u00f5es de pessoas, que segundo estimativas, dever\u00e1 ser de 9 bilh\u00f5es de pessoas em 2050. Para atender essa demanda, a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola precisa crescer globalmente 70% at\u00e9 l\u00e1, e em pa\u00edses em desenvolvimento, a demanda ser\u00e1 ainda maior e dever\u00e1 chegar a 100%, ou seja, o dobro da produ\u00e7\u00e3o atual. Haver\u00e1 um crescimento populacional, uma expectativa de vida maior e, possivelmente, um maior poder de compra, o que gerar\u00e1 um aumento na demanda de alimentos.<\/p>\n<p>Para que isso seja poss\u00edvel, h\u00e1 uma grande necessidade de se investir em tecnologia, e al\u00e9m da aprendizagem do uso das ferramentas digitais, ser\u00e1 necess\u00e1rio introduzir a agricultura de precis\u00e3o, intelig\u00eancia artificial e sobretudo inova\u00e7\u00e3o. O Brasil \u00e9 uma grande pot\u00eancia agr\u00edcola e o principal exportador as maiores commodities do mundo, mas ainda \u00e9 um importador de g\u00eaneros aliment\u00edcios.<a href=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/acaizeiro-foto-CAMTA.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-1527\" src=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/acaizeiro-foto-CAMTA.jpg\" alt=\"\" width=\"354\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/acaizeiro-foto-CAMTA.jpg 900w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/acaizeiro-foto-CAMTA-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/acaizeiro-foto-CAMTA-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/acaizeiro-foto-CAMTA-83x55.jpg 83w, https:\/\/www.bunkyorural.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/acaizeiro-foto-CAMTA-470x313.jpg 470w\" sizes=\"(max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O sistema que combina sustentabilidade com bioeconomia gera riqueza e outros ativos ambientais, como exemplo, a mitiga\u00e7\u00e3o de CO\u00b2, que gera cr\u00e9ditos de carbono e outros componentes que podem ser monetizados. Nesse quesito, o pa\u00eds est\u00e1 melhorando. H\u00e1 12 ou 15 anos, o Brasil tinha 5 milh\u00f5es de hectares em sistemas integrados de lavoura, pecu\u00e1ria e floresta. No ano passado, foi estimado que existem 15 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>O MAPA ir\u00e1 anunciar em breve o Observat\u00f3rio Nacional da Agropecu\u00e1ria Brasileira, que ter\u00e1 pain\u00e9is tem\u00e1ticos de quase toda produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria brasileira, fornecendo um mapa da produ\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o nacional e tamb\u00e9m previs\u00e3o dos potenciais problemas que poder\u00e3o surgir.<\/p>\n<p>Um problema que precisa ser resolvido \u00e9 que atualmente s\u00f3 23% do espa\u00e7o agr\u00edcola possui alguma conectividade. A proje\u00e7\u00e3o \u00e9 dobrar a conectividade atual no meio rural em dois anos, instalando em torno de 5 mil antenas no campo.<\/p>\n<p><strong>Unindo as ideias de jovens com a agricultura<\/strong><\/p>\n<p>O \u00faltimo palestrante da programa\u00e7\u00e3o foi o engenheiro agr\u00f4nomo George Hiraiwa, coordenador do Polo de Inova\u00e7\u00e3o Agro, que tem a chancela do MAPA. Participante do 11\u00ba Bunkyo Rural realizado em 2020, neste evento ele falou da import\u00e2ncia das cooperativas na inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u201cInova\u00e7\u00e3o \u00e9 coisa simples, \u00e9 a observa\u00e7\u00e3o e o aprendizado e pode acontecer em qualquer lugar, n\u00e3o precisa ser num grande centro nos Estados Unidos, Jap\u00e3o ou S\u00e3o Paulo. Tom\u00e9-A\u00e7u \u00e9 extremamente inovadora\u201d, disse Hiraiwa, que depois descreveu a versatilidade dos agricultores nas culturas que se seguiram ap\u00f3s a chegada dos imigrantes japoneses ao local em 1929.<\/p>\n<p>Entrando nos anos 2000, na agricultura digital, tudo aconteceu muito r\u00e1pido. A porta de entrada para a agricultura digital foi a agricultura de precis\u00e3o, ou seja, os maquin\u00e1rios, e hoje se faz gest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o por metro quadrado e at\u00e9 do ponto se for necess\u00e1rio. Para o agro a tecnologia vai ajudar na efici\u00eancia e a buscar produtividade, e se n\u00e3o for assim, n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p>\u00c9 importante a participa\u00e7\u00e3o das cooperativas porque s\u00e3o elas que poder\u00e3o levar essa tecnologia, a inova\u00e7\u00e3o, aos pequenos e m\u00e9dios produtores.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s aqui na regi\u00e3o (Londrina) fizemos em 2016 o primeiro Hackathon no agro. \u00c9 impressionante a velocidade com que as coisas acontecem, e hoje temos um ecossistema pujante onde todas as academias, institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, as cooperativas e empresas participam para tra\u00e7ar o caminho que n\u00f3s queremos inovar. Isso \u00e9 interessante porque se cria um ambiente principalmente para o jovem. Para a cooperativa, estimular a quest\u00e3o do ecossistema \u00e9 fundamental at\u00e9 para trazer os jovens para mais perto, e a\u00ed ele vai estar sempre perto acompanhando\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOutro aspecto, que est\u00e1 muito forte, s\u00e3o os fundos ESG (ambiental, social e de governan\u00e7a) ofertando dinheiro para o Brasil. Eles precisam investir em sequestro de carbono (remo\u00e7\u00e3o do g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera) e um l\u00edder de cooperativa precisa estar muito antenado para ver o que est\u00e1 vindo. J\u00e1 constru\u00edram toda a base do ESG, da agricultura sustent\u00e1vel. Agora \u00e9 ter agilidade e utilizar a tecnologia para realmente aproveitar esses recursos que est\u00e3o chegando. H\u00e1 muita coisa acontecendo. Ontem, o Bacen acabou de lan\u00e7ar o bir\u00f4 verde, que \u00e9 uma premia\u00e7\u00e3o para quem pratica agricultura sustent\u00e1vel\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o que chama muita aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguran\u00e7a alimentar. O futuro ser\u00e1 uma gest\u00e3o conjunta do health tech (tecnologia da sa\u00fade), do food tech (tecnologia da produ\u00e7\u00e3o alimentar) e do agri tech (tecnologia da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola). Existem 20 hubs de inova\u00e7\u00e3o na agricultura no Brasil, que \u00e9 um espa\u00e7o onde chegam as informa\u00e7\u00f5es e se discute inova\u00e7\u00e3o e tecnologia. Tudo est\u00e1 acontecendo muito r\u00e1pido\u201d.<\/p>\n<p>George Hiraiwa finalizou passando um recado para os jovens: \u201cEstudem agricultura e estudem tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, e ser\u00e1 um profissional muito valorizado no mercado de trabalho\u201d.<\/p>\n<p>O 13\u00ba Bunkyo Rural foi uma promo\u00e7\u00e3o conjunta da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assist\u00eancia Social &#8211; Bunkyo, Cooperativa Agr\u00edcola Mista de Tom\u00e9-A\u00e7u &#8211; CAMTA, Associa\u00e7\u00e3o Pan-Amaz\u00f4nica Nipo Brasileira, e Associa\u00e7\u00e3o Cultural de Tom\u00e9-A\u00e7u \u2013 ACTA; teve o patroc\u00ednio da Funda\u00e7\u00e3o Kunito Miyasaka, Natura, CAMTA, Jacto, Sakata, Grupo NK, e Assessoria Kenji Kiyohara, e o apoio da Embaixada do Jap\u00e3o, JICA e Jornal Nippak.<\/p>\n<h5>Texto: Francisco Noriyuki Sato<\/h5>\n<a class=\"synved-social-button synved-social-button-share synved-social-size-48 synved-social-resolution-single synved-social-provider-facebook nolightbox\" data-provider=\"facebook\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\" title=\"Share on Facebook\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Fwww.bunkyorural.com.br%2Findex.php%2Fwp-json%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F1525&#038;t=A%20AGRICULTURA%20QUE%20CRIA%20FLORESTAS%20EM%20TOM%C3%89-A%C3%87U&#038;s=100&#038;p&#091;url&#093;=https%3A%2F%2Fwww.bunkyorural.com.br%2Findex.php%2Fwp-json%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F1525&#038;p&#091;images&#093;&#091;0&#093;=https%3A%2F%2Fwww.bunkyorural.com.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2021%2F06%2FSistema-Agroflorestal-chamada-texto-1600x838.jpg&#038;p&#091;title&#093;=A%20AGRICULTURA%20QUE%20CRIA%20FLORESTAS%20EM%20TOM%C3%89-A%C3%87U\" style=\"font-size: 0px; 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