Uma solução para o Brasil, que sofre pressões internas e externas por questões de preservação ambiental, foi apresentada por descendentes de japoneses do Estado do Pará no 13º Bunkyo Rural, que teve como tema “Sistemas Agroflorestais – SAFTA”, e realizado no formato on-line no dia 16 de abril, contando com a participação de grandes autoridades.

Na década de 1950, Tomé-Açu prosperou com a cultura da pimenta-do-reino, chamada até de “diamante negro”, e foi o seu maior produtor mundial, transformando aquela pequena cidade, distante 220 km de Belém, no detentor do segundo maior Produto Interno Bruto do Estado do Pará, perdendo apenas para a capital.

A alegria durou pouco. Na década de 1960, após sucessivos cultivos da pimenta nas mesmas terras, começou a proliferação de fusariose, uma doença infecciosa causada por um fungo conhecido como “fusarium”, que causa o apodrecimento da raiz. A fusariose pode ser vista também em qualquer cultivo, como maracujá, abacaxi e batata, e até hoje não foi encontrado um controle químico eficaz.

Naquela época, muitas das plantações do “diamante negro” de Tomé-Açu foram dizimadas por aquele fungo, e além disso, o preço do produto no mercado caiu no início da década de 1960 devido à concorrência de novos produtores de outros estados e também de outros países.

Os agricultores de Tomé-Açu, que viviam bem até então, graças ao “diamante negro”, passaram a ter uma vida realmente difícil, e não foram poucos os que deixaram o campo à procura de novos horizontes.

Os japoneses que permaneceram na agricultura tiveram que buscar outras opções. Uma das mais interessantes foi o maracujá. O consumo dessa fruta começou a crescer em meados da década de 1970 à nível mundial. O Brasil, que nem figurava entre os maiores produtores no começo dos anos 70, chegou ao final da década como o maior exportador mundial. “A introdução da cultura do maracujá foi bem vista, uma vez que as condições climáticas ajudam, mas logo causou uma superprodução e o consequente excesso de oferta nos mercados do Pará e São Paulo, derrubando os preços”, explica Alberto Oppata, presidente da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu – CAMTA, em sua palestra.

Para evitar que tal problema se repita, a CAMTA decidiu investir numa unidade industrial para produzir-se polpas da fruta e assim aproveitar o excedente. Assim, a primeira indústria para processamento de 20 toneladas foi erguida em 1987, com a ajuda do governo japonês, através da Japan Internacional Cooperation Agency – JICA.

Essa solução, com certeza, ajudou os produtores de maracujá e de outras frutas da região, porém, não resolvia um outro problema que é típico da monocultura, ou seja, aquele solo utilizado repetidas vezes para a mesmo cultivo facilitava a proliferação de doenças, como a fusariose. Além disso, para possibilitar uma alternância de solo, o agricultor precisava desmatar cada vez mais, provocando um desequilíbrio no meio ambiente nativo. O desequilíbrio ecológico causado pelos primeiros agricultores, que se fixaram na região, acabou ajudando, por exemplo, na proliferação dos pernilongos e da consequente transmissão da malária, o que levou muitos agricultores a perderem a vida.

A solução estava fisicamente bem perto

Noboru Sakaguchi

Noboru Sakaguchi, engenheiro florestal recém-formado na Universidade Agrícola de Tóquio, chegou ao Estado do Pará em 1957, pretendendo cultivar seringueira e produzir a borracha. Ele plantou 12 hectares. Na época, Tomé-Açu vivia o auge da pimenta-do-reino e ninguém falava em desequilíbrio ambiental, exceto o engenheiro agrônomo japonês, Henkichi Hiraga, primeiro presidente da CAMTA fundada em 1949, que já advertia a todos sobre o grande risco que corriam com a monocultura. Sakaguchi também plantou a pimenta-do-reino, mas se preocupou em plantar outras variedades no meio, que pudessem lhe proporcionar um retorno mais imediato.

Sakaguchi percebeu que a própria natureza fazia o equilíbrio ambiental, e ao viajar pela Amazônia, notou que a população ribeirinha vivia de maneira simples, mas não passava fome. Os ribeirinhos plantam vários tipos de árvores frutíferas ao redor de suas casas, e enquanto uma está em fase de crescimento, outra dá frutos e eles se alimentam deles. Depois, quando termina a fase daquela fruta, a outra variedade está no ponto para ser colhida, e assim sucessivamente. Era um cultivo misto realizado de acordo com a própria natureza da Amazônia. Isso fez com que Sakaguchi começasse a plantar várias outras culturas de maneira mista. Ele chegou a explicar para outros agricultores, de que a agricultura deveria ser pensada de outra maneira na região Amazônica, que é diferente das regiões Sul e Sudeste do Brasil, mas como a pimenta-do-reino estava dando lucro, ninguém tomou providência. Afinal, ninguém mexe em time que está vencendo.

Já as experiências anteriores dos imigrantes japoneses deveriam ter ensinado o risco da monocultura. As primeiras 187 famílias de imigrantes japoneses chegaram na Colônia Acará (atualmente Tomé-Açu) em 1929, através da Companhia Nipônica de Plantação do Brasil “Nantaku”, para plantar cacau. Derrubaram árvores, promoveram queimadas, e plantaram uma área considerável, mas ignoraram os raios solares fortes da região, enquanto o cacau costuma crescer na sombra. Depois, tentaram cultivar hortaliças, e tiveram que providenciar o transporte dali até o porto, numa viagem de três horas, e mais o transporte de barco até o Mercado Ver-o-Peso, em Belém, que levava uma noite. Sofreram muito até encontrarem a pimenta-do-reino trazida em 1933, por Makinossuke Ussui, funcionário da “Nantaku”, que viajou do porto de Kobe, no Japão, com a décima terceira leva de imigrantes. Ussui aproveitou a parada em Cingapura para pegar 20 mudas de pimenta-do-reino e as trouxe ao Brasil. Das 20 mudas, que foram preservadas na Estação Experimental de Açaizal, somente duas sobreviveram, mas foram suficientes para mudar o destino dos japoneses do Pará. Na época, já havia pimenta-do-reino naquele Estado trazida pelos portugueses, mas não era uma variedade produtiva.

A monocultura da pimenta-do-reino deu bons resultados, mas foi uma alegria momentânea, e aprenderam então que, qualquer monocultura terá o mesmo destino.

A solução para evitar o desmatamento foi criar uma agricultura sustentável

O engenheiro agrônomo Alfredo Homma, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, disse em sua palestra, que na Amazônia foram desmatados 78 milhões de hectares, que equivale mais do que os espaços ocupados pelos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná juntos, ou três vezes o tamanho do Estado de São Paulo. Ou numa dimensão internacional, cabem dois Japão nessa área desmatada. Esse é, portanto, um grande problema que precisa ser solucionado.

A solução encontrada em Tomé-Açu, e que hoje é apontado como um modelo de gestão, expande para outras regiões da Bacia Amazônica e de vários países. Várias plantas são cultivadas simultaneamente no mesmo lugar, formando um equilíbrio, tal qual proporcionado pela natureza. O modelo recebeu o nome de SAFTA – Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu.

A preocupação não é apenas de recuperação ambiental, mas sim, de proporcionar rendimentos aos produtores. Segundo Alberto Oppata, hoje, nas áreas onde havia o cultivo somente da pimenta-do-reino em Tomé-Açu, há uma plantação consorciada de culturas de curto, médio e longo prazo, ou seja, de maracujá, pimenta-do-reino, cacau, seringueira e dendê. Esse projeto foi feito entre as décadas de 80 para final de 90. Foi uma forma encontrada para que o agricultor tivesse uma renda de curto, médio e longo prazo. No primeiro ano, ele vai ter uma receita com maracujá, e antes do maracujá, o arroz e o feijão permitirão a subsistência. A pimenta-do-reino começa a produzir no terceiro ano, e o cacau começa a produzir no quinto ano como cultura perene. Hoje, tem também o açaí, no quinto ano, e no 35º ano já haverá uma formação completa com espécies florestais, e o agricultor teve rendimento durante todo esse tempo.

O SAFTA fez com que o produtor não precisasse buscar e desmatar novas áreas. Fez com que o produtor pudesse se fixar numa área, produzindo no sistema consorciado, e pelos estudos, permanecendo durante 35 anos. Depois desse período, poderá extrair a madeira crescida e gerar mais recursos financeiros, para iniciar o ciclo novamente.

A preocupação dos dirigentes da CAMTA também contempla a recuperação da fertilidade do solo. Depois de 90 anos extraindo os componentes minerais do solo através da agricultura e, principalmente, da monocultura, o solo precisa de recomposição, necessita da devolução desses materiais para se tornar produtivo novamente. Os compostos químicos, ou adubos, passam a não responder mais depois de algum tempo. Assim, a solução encontrada foi transformar os resíduos da produção do suco de frutas em compostagem para utilização na adubação. Esse material é vendido ao agricultor a preço de custo para melhorar a fertilidade do solo.

A ajuda do governo japonês foi fundamental para o sucesso

O governo japonês vem ajudando os imigrantes de Tomé-Açu a alcançarem uma estabilidade. Foi o que revelou Masayuki Eguchi, representante chefe da Agência de Cooperação Internacional – JICA, em sua palestra.

Em 1974, em meio às dificuldades para encontrar uma cultura apropriada para as condições da região, o Japão apoiou a implantação da Instituto Experimental de Agricultura Tropical da Amazônia. Dez anos depois, a JICA ajudou na construção de uma fábrica de polpas da CAMTA para aproveitar melhor as frutas produzidas pelos cooperados, além de fornecer uma cooperação técnica para a difusão do Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu desde 1990.

Entre 1990 e 2016, a JICA implementou sete projetos de cooperação técnica em conjunto com a Embrapa Amazônia Oriental e Apoio ao Projeto Comunitário. Esses projetos contemplam o desenvolvimento de um sistema de produção adequado para os trópicos úmidos da Amazônia, promoção da educação ambiental para moradores locais, atividades relacionadas à preservação da floresta, melhoria dos métodos utilizando os recursos florestais para melhorar a vida dos residentes ribeirinhos, desenvolvimento de mercado e plano de certificação agroflorestal, para ampliação de mercado, que proporciona aumento da renda dos agricultores, além de ajudar na conservação ambiental da Amazônia. Como resultado desse projeto, que foi implementado em parceria com a CAMTA e a Universidade de Agricultura de Tóquio, o cacau produzido em Tomé-Açu obteve a certificação Indicação Geográfica em 2018.

Através da JICA, até hoje 659 técnicos brasileiros, incluindo profissionais da Embrapa, participaram dos Cursos de Capacitação no Japão sobre assuntos ligados à agricultura, e os temas mais recentes foram “Desenvolvimento de Valor de Cadeia” e “Transformação Digital”.

Entendendo que a Bacia Amazônica é um imenso conjunto que engloba vários países, e precisa ser preservado, a JICA vem realizando o Curso de Tecnologia de Sistemas Agroflorestais a nível internacional. No curso realizado em Tomé-Açu, participaram técnicos da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, onde a experiência da comunidade nikkei de Tomé-Açu ajudou na elaboração de planos de ação nesses países.

Cabe lembrar, que além do auxílio técnico e financeiro para a agricultura, a JICA oferece ajuda na área de serviços de saúde. A população nikkei local estava envelhecendo e necessitando de assistência médica, enquanto os serviços públicos não conseguem atender essa grande demanda.

No Pará, a Beneficência Nipo-Brasileira da Amazônia, com o nome anterior de Associação de Assistência aos Imigrantes Japoneses da Amazônia, foi fundada em 1965, e possui atualmente o Hospital da Amazônia em Belém, o Hospital Amazônia de Quadro Bocas, em Tomé-Açu, e o Centro de Reabilitação Social em Ananindeua. A construção dos hospitais contou com a ajuda da comunidade local, de instituições e empresas japonesas. A Beneficência Nipo-Brasileira da Amazônia oferece ainda serviços de atendimento médico móvel às pessoas que residem em locais de difícil acesso, e esse trabalho é desenvolvido em parceria com a JICA.

Segundo Eguchi, entre 2021 e 2026, a JICA implementará o projeto para a melhoria do desmatamento ilegal na Amazônia através de tecnologias avançadas do Radar de Abertura Sintética (SAR) e inteligência artificial, junto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – IBAMA. A entidade executará também o projeto de agricultura inteligente, que recebeu o nome de “Desenvolvimento Colaborativo da Agricultura de Precisão Digital para o Fortalecimento do Ecossistema de Inovação e a Sustentabilidade do Agro Brasileiro”, junto com a Embrapa. Em relação a esse projeto, foi definida como área piloto a comunidade de Tomé-Açu, que poderá ter o horizonte ampliado para obter melhores resultados na produção.

Empresas também investem no Sistema Agroflorestal

A preocupação com o aquecimento global tem levado instituições e empresas do mundo inteiro a olharem para a Bacia Amazônica, que tem o maior volume de água doce do mundo e abriga a maior floresta equatorial e tropical do mundo, e é extremamente rica em biodiversidade, fauna e flora, sendo em grande parte responsável pelo equilíbrio ambiental e climático do mundo.

Uma dessas empresas é a Natura, uma indústria nacional de cosméticos, que participou do 13º Bunkyo Rural através da sua coordenadora de inovação Camila Brás Costa, apresentando a ligação da empresa com a SAFTA.

A Natura possui um estudo de 13 anos, que pode ser o mais completo estudo de sistema agroflorestal com dendê do mundo. O óleo de palma, também conhecido como azeite de dendê, é extraído do fruto da palmeira de dendê, e é o óleo mais consumido no mundo. Mais de 50% dos produtos que estão na gôndola de supermercado contém o óleo de palma e na indústria de cosméticos também se faz uso do mesmo óleo.

Os principais produtores mundiais do óleo de palma, que são a Malásia e a Indonésia, mostram que a cadeia de fornecimento do óleo está atrelada ao desmatamento e está gerando conflitos sociais, porque a produção não contempla a sustentabilidade de forma abrangente. Na Amazônia brasileira, que também produz dendê, pode-se obter um resultado muito melhor porque está sendo introduzido dentro do sistema agroflorestal.

Quando comparado com a monocultura do dendê, que comporta 143 plantas em um hectare, no SAF o dendê terá menos aproveitamento da terra (81 a 99 plantas por hectare) porque está no meio de outras plantas. Mas o objetivo é ter diversidade, por isso, na mesma área tem cacau, açaí e espécies anuais que ajudam o agricultor a cobrir os custos iniciais de implantação. Dessa forma, é possível aproveitar as áreas desmatadas e reconstituir a floresta, e ainda possibilitar um meio de vida aos produtores locais.

Outro investimento da Natura nessa região amazônica é na ucuúba, que é uma planta cujo fruto oferece uma manteiga usada para hidratação e que é utilizada nos produtos da Natura. Antes disso, a ucuúba servia apenas no aproveitamento de sua madeira para produtos como cabo de vassoura e na construção civil, sem alcançar um valor relevante. “Temos relatos dos agricultores, que pela venda para a Natura eles passaram a receber três vezes mais do que recebiam na venda da madeira. E nós falamos num horizonte de produção de pelo menos 10 anos, por isso, a ucuúba, que é uma espécie ameaçada de extinção, passa a ser um recurso genético valorizado dentro daquele bioma e também trazendo uma renda interessante para o agricultor”, concluiu Camila.

O olhar do governo federal sobre a agricultura do futuro

O agronegócio até o final da década de 1990, mostrava que era necessário um grande volume de terras e muitas horas de trabalho do homem para se promover a produção no campo. Até essa época, menos de 25% da produtividade era explicada pelo fator tecnologia. Já na virada do século, mais de 70% dos fatores tem a ver com a introdução da tecnologia, pela inovação, explica Cleber Oliveira Soares, diretor de inovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, mostrando como a tecnologia se tornou importante para a agricultura em tão pouco tempo.

Traçando um cenário para a agricultura no futuro próximo, Cleber citou a população mundial atual de 7 bilhões de pessoas, que segundo estimativas, deverá ser de 9 bilhões de pessoas em 2050. Para atender essa demanda, a produção agrícola precisa crescer globalmente 70% até lá, e em países em desenvolvimento, a demanda será ainda maior e deverá chegar a 100%, ou seja, o dobro da produção atual. Haverá um crescimento populacional, uma expectativa de vida maior e, possivelmente, um maior poder de compra, o que gerará um aumento na demanda de alimentos.

Para que isso seja possível, há uma grande necessidade de se investir em tecnologia, e além da aprendizagem do uso das ferramentas digitais, será necessário introduzir a agricultura de precisão, inteligência artificial e sobretudo inovação. O Brasil é uma grande potência agrícola e o principal exportador as maiores commodities do mundo, mas ainda é um importador de gêneros alimentícios.

O sistema que combina sustentabilidade com bioeconomia gera riqueza e outros ativos ambientais, como exemplo, a mitigação de CO², que gera créditos de carbono e outros componentes que podem ser monetizados. Nesse quesito, o país está melhorando. Há 12 ou 15 anos, o Brasil tinha 5 milhões de hectares em sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta. No ano passado, foi estimado que existem 15 milhões de hectares.

O MAPA irá anunciar em breve o Observatório Nacional da Agropecuária Brasileira, que terá painéis temáticos de quase toda produção agropecuária brasileira, fornecendo um mapa da produção e projeção nacional e também previsão dos potenciais problemas que poderão surgir.

Um problema que precisa ser resolvido é que atualmente só 23% do espaço agrícola possui alguma conectividade. A projeção é dobrar a conectividade atual no meio rural em dois anos, instalando em torno de 5 mil antenas no campo.

Unindo as ideias de jovens com a agricultura

O último palestrante da programação foi o engenheiro agrônomo George Hiraiwa, coordenador do Polo de Inovação Agro, que tem a chancela do MAPA. Participante do 11º Bunkyo Rural realizado em 2020, neste evento ele falou da importância das cooperativas na inovação tecnológica.

“Inovação é coisa simples, é a observação e o aprendizado e pode acontecer em qualquer lugar, não precisa ser num grande centro nos Estados Unidos, Japão ou São Paulo. Tomé-Açu é extremamente inovadora”, disse Hiraiwa, que depois descreveu a versatilidade dos agricultores nas culturas que se seguiram após a chegada dos imigrantes japoneses ao local em 1929.

Entrando nos anos 2000, na agricultura digital, tudo aconteceu muito rápido. A porta de entrada para a agricultura digital foi a agricultura de precisão, ou seja, os maquinários, e hoje se faz gestão da produção por metro quadrado e até do ponto se for necessário. Para o agro a tecnologia vai ajudar na eficiência e a buscar produtividade, e se não for assim, não faz sentido.

É importante a participação das cooperativas porque são elas que poderão levar essa tecnologia, a inovação, aos pequenos e médios produtores.

“Nós aqui na região (Londrina) fizemos em 2016 o primeiro Hackathon no agro. É impressionante a velocidade com que as coisas acontecem, e hoje temos um ecossistema pujante onde todas as academias, instituições de pesquisa, as cooperativas e empresas participam para traçar o caminho que nós queremos inovar. Isso é interessante porque se cria um ambiente principalmente para o jovem. Para a cooperativa, estimular a questão do ecossistema é fundamental até para trazer os jovens para mais perto, e aí ele vai estar sempre perto acompanhando”.

“Outro aspecto, que está muito forte, são os fundos ESG (ambiental, social e de governança) ofertando dinheiro para o Brasil. Eles precisam investir em sequestro de carbono (remoção do gás carbônico da atmosfera) e um líder de cooperativa precisa estar muito antenado para ver o que está vindo. Já construíram toda a base do ESG, da agricultura sustentável. Agora é ter agilidade e utilizar a tecnologia para realmente aproveitar esses recursos que estão chegando. Há muita coisa acontecendo. Ontem, o Bacen acabou de lançar o birô verde, que é uma premiação para quem pratica agricultura sustentável”, afirmou.

“A questão que chama muita atenção é a segurança alimentar. O futuro será uma gestão conjunta do health tech (tecnologia da saúde), do food tech (tecnologia da produção alimentar) e do agri tech (tecnologia da produção agrícola). Existem 20 hubs de inovação na agricultura no Brasil, que é um espaço onde chegam as informações e se discute inovação e tecnologia. Tudo está acontecendo muito rápido”.

George Hiraiwa finalizou passando um recado para os jovens: “Estudem agricultura e estudem tecnologia da informação, e será um profissional muito valorizado no mercado de trabalho”.

O 13º Bunkyo Rural foi uma promoção conjunta da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo, Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu – CAMTA, Associação Pan-Amazônica Nipo Brasileira, e Associação Cultural de Tomé-Açu – ACTA; teve o patrocínio da Fundação Kunito Miyasaka, Natura, CAMTA, Jacto, Sakata, Grupo NK, e Assessoria Kenji Kiyohara, e o apoio da Embaixada do Japão, JICA e Jornal Nippak.

Texto: Francisco Noriyuki Sato
 

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